Escolha uma Página

Ter mais de uma crise de diverticulite não significa que a cirurgia seja obrigatória. Diretrizes atuais recomendam abandonar regras rígidas baseadas apenas no número de episódios e avaliar o comportamento da doença, os riscos do paciente e o impacto real na qualidade de vida.

Para algumas pessoas, acompanhar é a melhor decisão. Para outras, uma sigmoidectomia eletiva – realizada fora da fase aguda – pode evitar novos ciclos de dor, antibióticos, pronto atendimento e internação.

Por que a regra do “segundo episódio” mudou?

Durante muitos anos, era comum indicar cirurgia depois de um número predeterminado de crises. O acompanhamento de pacientes mostrou que a história natural da diverticulite é mais variável do que se imaginava.

Nem toda recorrência se torna mais grave. Além disso, quadros complicados podem ocorrer já na primeira apresentação. Por isso, contar episódios sem analisar a gravidade e o contexto pode levar tanto a cirurgias desnecessárias quanto ao atraso de uma operação útil.

O que realmente pesa na decisão?

O cirurgião considera um conjunto de fatores:

  • Se as crises foram não complicadas ou envolveram abscesso, perfuração ou drenagem
  • Frequência e proximidade entre os episódios
  • Necessidade de internações e impacto profissional ou familiar
  • Persistência de dor ou alteração intestinal entre as crises
  • Presença de fístula, estreitamento ou obstrução
  • Imunossupressão e outras comorbidades
  • Idade, condição clínica e risco anestésico
  • Segurança do diagnóstico e necessidade de excluir outras doenças
  • Expectativas e preferências do paciente

O mesmo histórico pode levar a decisões diferentes. Um paciente com duas crises leves e recuperação completa não é equivalente a outro com uma crise complicada, drenagem de abscesso e sintomas persistentes.

Operar evita uma emergência futura?

A cirurgia eletiva reduz o risco de novas crises no segmento retirado e permite um procedimento planejado, depois que a inflamação diminuiu. Isso pode ser especialmente relevante quando a doença já causou complicações ou quando o risco individual é elevado.

Entretanto, não é correto afirmar que operar elimina completamente qualquer possibilidade de dor abdominal, alteração intestinal ou recorrência. A operação também possui riscos. A decisão deve comparar dois caminhos reais: o risco de manter a doença e o risco de intervir.

Quando esperar pode ser razoável?

O acompanhamento pode ser considerado quando os episódios foram leves e não complicados, a recuperação foi completa, as crises são pouco frequentes, não há imunossupressão relevante e o impacto na vida é pequeno.

Nesse cenário, é importante ter um plano: reconhecer sinais de alarme, manter acompanhamento, atualizar a investigação do cólon quando indicada e evitar o uso automático de antibióticos antigos diante de qualquer dor.

Quando a cirurgia eletiva ganha força?

A discussão costuma ser mais relevante diante de:

  • Fístula entre o intestino e bexiga, vagina, pele ou outro órgão
  • Estenose e sinais de obstrução
  • Abscesso prévio, especialmente quando exigiu drenagem
  • Sintomas persistentes que não melhoram após a inflamação
  • Crises frequentes com internações ou grande perda de qualidade de vida
  • Imunossupressão ou risco elevado de falha do tratamento não operatório
  • Dificuldade diagnóstica, após investigação apropriada

Mesmo nesses casos, o momento e a técnica dependem do estado clínico e dos exames.

A cirurgia eletiva não é indicada porque o paciente “atingiu um número”. Ela é indicada quando, para aquela pessoa, o benefício de prevenir novos problemas supera os riscos da operação.

Como é a cirurgia programada?

Na maior parte das diverticulites do lado esquerdo, a operação retira o segmento mais afetado do cólon, frequentemente o sigmoide, e reconecta as partes saudáveis do intestino. O procedimento pode ser realizado por laparoscopia, cirurgia robótica ou via aberta, conforme inflamação prévia, anatomia, cirurgias anteriores e experiência da equipe.

Em uma cirurgia eletiva bem planejada, busca-se reduzir a chance de colostomia. Ainda assim, nenhuma equipe deve prometer que ela nunca será necessária. A possibilidade depende da segurança da reconexão, das condições dos tecidos e de eventos encontrados durante o procedimento.

E a dor que continua depois da crise?

Alguns pacientes mantêm dor, distensão ou mudança do hábito intestinal mesmo sem inflamação ativa. Antes de atribuir tudo à diverticulite, é importante excluir estenose, inflamação persistente, síndrome do intestino irritável e outras causas.

A cirurgia pode melhorar sintomas em pacientes bem selecionados, mas não garante o desaparecimento de qualquer desconforto abdominal quando há sobreposição com doenças funcionais.

Quais perguntas levar à consulta?

  • Minhas crises foram realmente confirmadas por tomografia?
  • Houve abscesso, perfuração, fístula ou estreitamento?
  • Tenho sintomas entre os episódios?
  • Qual é o risco de uma nova crise no meu contexto?
  • O que a cirurgia pretende prevenir ou melhorar?
  • Qual é a chance de conversão para cirurgia aberta ou necessidade de estoma?
  • Como seria a recuperação e o afastamento do trabalho?

Essas perguntas tornam a decisão mais concreta e evitam que ela seja guiada apenas pelo medo de uma nova crise.

Perguntas frequentes

Duas crises de diverticulite significam que preciso operar?

Não. O número de episódios, sozinho, não determina a cirurgia. Gravidade, complicações, intervalo entre crises, sintomas persistentes e impacto na qualidade de vida são mais importantes.

Diverticulite recorrente sempre piora?

Não. Algumas pessoas têm novas crises leves; outras não apresentam recorrência. O histórico individual e os achados de imagem ajudam a estimar riscos, sem permitir previsão perfeita.

É melhor operar durante ou depois da crise?

Quando não existe urgência, a cirurgia costuma ser planejada depois da resolução da inflamação. Perfuração com peritonite, sepse ou falha do tratamento podem exigir operação durante a fase aguda.

A cirurgia sempre exige colostomia?

Não. Em operações eletivas, frequentemente é possível retirar o segmento doente e reconectar o intestino. Um estoma pode ser necessário em situações específicas de segurança.

Posso ter diverticulite depois de retirar o sigmoide?

O risco diminui, mas não chega obrigatoriamente a zero, pois divertículos podem existir em outras partes do cólon. Também podem persistir sintomas intestinais por causas não inflamatórias.

Crises repetidas e insegurança sobre operar?

Uma consulta cirúrgica pode organizar o histórico, revisar as tomografias e comparar, de forma individual, os riscos de acompanhar e de realizar uma cirurgia eletiva.

Referências para revisão médica

  • World Society of Emergency Surgery. 2020 update of the WSES guidelines for acute colonic diverticulitis. https://link.springer.com/article/10.1186/s13017-020-00313-4
  • American Society of Colon and Rectal Surgeons. Clinical Practice Guidelines for the Treatment of Left-Sided Colonic Diverticulitis. https://fascrs.org/ascrs/media/files/DCR-tics-CPG-2020.pdf
tiago-ijichi-medico-cirurgiao_logo-menu-0d1b2a

CRM 126.581 • RQE 95.794 • RQE 95.795

Formado na Santa Casa de São Paulo • Fellowship na Coreia do Sul • Especialista em cirurgia robótica e laparoscopia • Opera no Hospital Albert Einstein

Contato

Hospital Israelita Albert Einstein - Unidade Morumbi

Av. Albert Einstein, 627, Morumbi, São Paulo/SP, 05652-900

Hospital Israelita Albert Einstein - Unidade Alphaville

Av. Juruá, 706, Alphaville, Barueri/SP, 06455-010